
por Moriti Neto, para a Revista fórum
O plano do governo federal terá três pilares básicos: transferência de renda, inclusão produtiva e acesso a serviços públicos. Nesse sentido – objetivando a inclusão produtiva em áreas urbanas –, são planejadas ações que pretendem criar ocupação e renda por meio da economia solidária.
Em entrevista à Fórum, Joaquim de Melo, coordenador geral do Instituto Palmas, analisa o papel do setor no plano do governo de Dilma Rousseff e aponta o que ainda pode ser aperfeiçoado. Segundo ele a economia solidária consegue, com muita facilidade, chegar aos mais pobres, porque ela parte do princípio que a solução dos problemas econômicos está na própria comunidade em que se encontram os extremamente pobres.
O capitalismo nos ensina que não existe espaço para todos, por isso devemos disputar o mercado. As velhas cartilhas sobre empreendedorismo de negócios explicitam que devemos ser bem capacitados em nossos empreendimentos para ganharmos fatias de mercado. Disputar, concorrer, chegar à frente, é sempre a lógica que nos leva a uma paranoia coletiva de sermos os melhores para ganharmos do outro. Um ganha, outro perde. Não existe espaço para dois.
A economia solidária prega exatamente o contrário. É muito mais viável ser solidário do que ser competitivo. Economicamente falando, acreditamos que é muito mais fácil sobrevivermos no mercado por meio de ações econômicas coletivas do que isolados. Portanto, devemos pensar em formas coletivas de comercialização de produtos, como feiras, lojas solidárias, bodegas comunitárias; em produção associada, cooperativas, associações e grupos de produção; em formas alternativas de crédito coletivo, bancos comunitários, cooperativas de crédito, fundos solidários e outros. Enfim, é a crença de que, organizados, seremos mais fortes. Essa lógica da cooperação e da colaboração estimula que as pessoas se organizem e se juntem de forma associativa e cooperada. As experiências de economia solidária no Brasil totalizam 22 mil empreendimentos (dados do Sistema de Informação da Economia Solidária – SIES/Ministério do Trabalho e Emprego).
Fonte: Site Envolverde
http://envolverde.com.br/economia/entrevista-economia/a-economia-solidaria-como-um-dos-eixos-do-brasil-sem-miseria/
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