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31 outubro 2011

PESQUISA DESENVOLVE COURO MENOS POLUENTE


Uma parceria de um docente aposentado da USP de São Paulo com o Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) e a Amcoa (associação de curtumes do município) promete uma revolução na busca pelo couro menos poluente. 

O processo conseguiu separar o cromo --produto químico utilizado para converter a pele do boi em couro para sapatos e bolsas-- do resto de couro que iria para o lixo. O resultado é colágeno em forma líquida, usado na indústria de cosméticos, farmacêutica e de alimentos. 

Em condições normais, o cromo não afeta a saúde e o ambiente, mas, com umidade, radiação solar e acidez do solo, pode se tornar cancerígeno e poluir o chão e o lençol freático. A descoberta é inédita no mundo, segundo o microbiologista da USP Manoel Armando Azevedo dos Santos, responsável pelo estudo."A extração do cromo do couro já vinha sendo feita na comunidade científica, mas sem separação total", disse. 

O processo foi desenvolvido por Santos na empresa DHX, em Bauru (SP). O próximo passo é construir uma usina de reciclagem de resíduos em Franca. Outra pesquisa, desenvolvida pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) desde 2007, busca restos de couro da indústria calçadista de Jaú, no interior paulista.O resíduo é misturado a restos de polímero (plástico) da indústria automobilística e se transforma em solados e palmilhas. Segundo o docente da UFSCar José Donato Ambrósio, o material tem a mesma durabilidade e é até mais resistente do que o comum. 

Responsável pela unidade da Cetesb em Franca, Francisco Setti vê avanços da indústria calçadista no respeito ao ambiente. "Não é só por marketing, mas até por questão de custos." O aterro da cidade, por exemplo, previsto para durar 20 anos, já está com 25% da capacidade ocupada. 

Fonte: Folha.com
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/950136-processo-separa-o-cromo-do-couro.shtml

FRANCA TRANSFORMA RESTOS DE CALÇADOS EM PISO E ADUBO



Visto como altamente poluidor em décadas passadas, o setor calçadista hoje reaproveita materiais para novos produtos, reutiliza água e até fornece matéria-prima para outros setores. Na fábrica Amazonas, em Franca (SP) --principal produtora de sapatos masculinos do país--, os restos de borracha viram xaxim, piso de playground infantil e de metrô e borracha colorida para piso direcional de bancos. 
A empresa hoje produz 550 toneladas por mês de borracha reciclada.  "Praticamente não usamos o aterro [específico para resíduos de couro]", diz o diretor da Amazonas, Saulo Pucci Bueno.  A Sapatoterapia, de Franca, obteve em 2010 um certificado por ter criado o primeiro sapato biodegradável do país, segundo o diretor Leonildo Lopes Ferreira. 

O solado é de borracha biodegradável, o couro não tem cromo e o forro é de fibra de bambu.  O adesivo é à base de água.  A linha responde atualmente por 10% dos 2.000 pares diários.  No Rio Grande do Sul, outro polo calçadista do país, um dos curtumes utiliza restos de couro na produção de um fertilizante orgânico, que é exportado.

Além de ambiental, a preocupação das empresas é também financeira.  A lei exige aterro próprio para descarte dos resíduos.  Em Franca, por exemplo, o custo chega a R$ 120 por tonelada. 

Pesquisas acadêmicas tentam promover revoluções no setor ao reaproveitar restos de couro.  Um desafio é criar um couro menos poluente e viável economicamente. Um dos estudos torna o resto de couro em colágeno líquido, para as indústrias cosmética e farmacêutica.

Fonte: Observatório do Clima
http://www.oc.org.br/index.php?page=Noticia&id=216618