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15 dezembro 2011

NATAL, O PARAÍSO PELO CONSUMO


por Dal Marcondes e Naná Prado, da Envolverde
610 Natal, o paraíso pelo consumo 

Todo final de ano multidões se acotovelam em lojas ao redor do mundo para comprar sonhos, sorrisos e felicidade no formato de brinquedos, roupas e presentes.

Luzes e enfeites de Natal estão acesos pelas cidades. Nas casas as pessoas começam a planejar as festas e as crianças escrevem cartas ao Papai Noel. Na TV, os repórteres fazem a pergunta clássica a lojistas compenetrados: “esse Natal será melhor do que o do ano passado?”. Com o olhar sério o entrevistado esgrime alguns números para dizer que “deve ser um bom Natal”. Na verdade, o Brasil está entre os poucos países a ter o que o comércio chama de um “bom Natal”, principalmente por conta da boa fase da economia, que se mantém estável mesmo com a grave crise que assola os países europeus e os Estados Unidos. Um Natal com muitos presentes e festas, ainda que o futuro esteja obscurecido pela falta de perspectivas do chamado “primeiro mundo” em retomar seu papel de locomotiva da economia global.

Desde 2002, o Brasil tem conseguido uma grande mobilidade social. Até 2008, foram mais de 25 milhões de pessoas que saíram das classes D e E para a classe C, a porta de entrada da classe média. E, até 2014, existe a estimativa de que outros 14,5 milhões de pessoas deixarão a pobreza, além da ascensão de 36 milhões entre as classes A, B e C. Este cenário é muito positivo sob o ponto de vista social. Milhões de pessoas que passam a ter acesso aos benefícios do consumo e a melhor qualidade de vida em habitação, saúde, educação, etc. No entanto, esta realidade impõe outros desafios para a gestão dos recursos do país. O que economistas e planejadores se perguntam é como garantir o fornecimento de bens e serviços a essa nova classe média sem comprometer ainda mais os ecossistemas.

O desafio posto é promover a sustentabilidade e o combate à desigualdade ao mesmo tempo. “Esta é uma preocupação muito atual, por conta do acesso de grandes contingentes de pessoas ao consumo de massa. Se, de um lado, isto permite a necessária melhoria na qualidade de vida, de outro, expõe, em escala preocupante, os impactos negativos dos atuais modelos de produção e consumo”, explica Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente. O modo atual de vida das populações mais ricas já consome 50% mais em recursos do que o planeta é capaz de regenerar. A capacidade da Terra de renovar água e ar, terras aráveis e de absorver os descartados do consumo já foi ultrapassada. E isso enquanto 20% da população é responsável pelo consumo de 80% dos recursos. No momento que os demais 80% da população mundial começa a participar mais fortemente do  consumo de massa, será preciso produzir com um impacto muito menor em matérias-primas e energia. “Para atender a totalidade da população do planeta dentro do mesmo modelo atual de produção e consumo, seriam necessários quase cinco planetas Terra”, argumenta o presidente do Akatu. No entanto, é bom lembrar que existe apenas um planeta Terra.
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Uma das medidas que vêm sendo tomadas pelas empresas para fazer frente ao desafio deste novo consumo é a busca pela ecoeficiência, com a utilização de menos materiais, água e energia por unidade produzida. [...]
 
Outra área sensível em um processo de transformação do modelo econômico é o mercado financeiro. Ao contrário do que acontece no restante do mundo, onde os bancos são parte importante da crise financeira, no Brasil as instituições têm mantido uma certa distância do problema. Justamente por isso aproveitam essa calmaria para ampliar sua visão de um mercado mais comprometido com questões ambientais e sociais. O poder das instituições financeiras sobre o mercado permite que elas exerçam influência em muitas direções. “Ao inserir a análise de risco socioambiental na concessão de crédito para empresas, estamos estimulando mais negócios que equilibram as três vertentes da sustentabilidade”, explica Maria Luiza Pinto, diretora de Desenvolvimento Sustentável do Grupo Santander.[...]

Denise Hills, superintendente de Sustentabilidade do Itaú-Unibanco, acredita que, com a entrada de muita gente no mercado de consumo, o desafio de manter regras de sustentabilidade é maior. “Cuidar do dinheiro, receber, planejar os gastos, ver se falta ou sobra. Saber que crédito não é adicional ao salário, que toda vez que você usa crédito você está alugando um dinheiro a um determinado custo para fazer alguma coisa hoje e vai ter que pagar não só por isso, mas pelo custo do aluguel”, demonstra ela. [...]

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O Natal é a data mais importante para o varejo de maneira geral e para grande parte do setor produtivo. “Vendemos os alimentos para a ceia do final do ano e existem muitos produtos sazonais como panetones, frutas secas, aves natalinas, etc. Além disso, há os itens de ‘não alimentos’, como produtos para enfeitar a casa nas festas e também presentes. São brinquedos, eletroeletrônicos, eletrodomésticos”, conta Daniela De Fiori. “Nessa data, ou em qualquer outra, nossas estratégias de sustentabilidade não mudam. Aliás, como elas já fazem parte do dia a dia da companhia e estão em tudo o que fazemos, passa a ser natural que façamos igualmente no Natal ou em qualquer época do ano”, afirma.

Também é tempo de aproveitar as festas de final de ano para estar com aqueles de quem mais se gosta, para compartilhar um texto, ouvir música, refletir sobre o ano que passou, e traçar juntos planos futuros. Se isso ocorre, deixando a emoção fluir, os presentes ficam certamente para segundo plano. Na virada para um novo ano, muita gente costuma fazer promessas de mudanças. “A entrada de um novo ano é uma ótima oportunidade para refletirmos sobre as nossas vidas e buscarmos identificar o que é realmente importante para cada um de nós, buscando então alinhar o nosso consumo com aquilo que concluirmos que nos faz realmente bem e nos traz alegria e realização, afirma Hélio Mattar.

Segundo a vice-presidente do Walmart, “já percebemos mudanças em nossos consumidores, que hoje, graças ao esforço da indústria, encontram em nossas lojas milhares de produtos com algum diferencial sustentável. Hoje há mais possibilidades e as pessoas entendem cada vez melhor como contribuir com o planeta na sua compra mensal”. Mas ela deixa claro que ainda há um longo caminho a percorrer, e tem certeza que a sociedade está aberta a colaborar e cada vez mais entende que é papel de cada um e responsabilidade de todos o mundo que deixaremos para as futuras gerações.

Imagine, por exemplo, desejos para 2012 na linha de “Brincar mais com meus filhos”… “Ler mais romances e poesias”… “Pressionar a prefeitura para que seja melhorada a qualidade do transporte público”… “Fazer passeios de bicicleta”… “Organizar os condôminos do meu prédio para buscar uma cooperativa de coleta seletiva de resíduos e mobilizar a todos para que façam a separação dos resíduos em seus apartamentos”… “Antes de comprar, perguntar sobre a origem da carne, para garantir que não vem de áreas em que a pastagem gerou desmatamento”… “Não comprar nenhum produto pirata”… “Não brigar no trânsito”… “Pedir nota fiscal em todas as minhas compras”… “Planejar o cardápio semanal e fazer a lista de compras que atenda a este planejamento”… “Aderir a marcas, produtos e empresas comprovadamente mais responsáveis do ponto de vista ambiental e social”… “Abandonar o uso de produtos descartáveis e aderir aos retornáveis e duráveis”… “Sempre que possível, trocar os produtos físicos pelos virtuais, os combustíveis fósseis por renováveis, os diluídos pelos concentrados”… Ao mesmo tempo, você estaria dando um presente à sociedade, ao planeta e a você mesmo. Afinal, não vivemos na mesma sociedade e no mesmo planeta dos quais cuidamos?

Fonte: http://envolverde.com.br/economia/consumo-economia/natal-o-paraiso-pelo-consumo/

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